Quantos prêmios Nobéis merece sua mãe? – A família Curie estabeleceu no mínimo 2 – Polônia e França

Neste dia das mães eu gostaria de levantar a seguinte questão: Quantos prêmios Nobéis merece a sua mãe? Acho que só por nos dar o dom da vida ela já merece um, o outro vem por nos suportar até criarmos coragem e andarmos com nossas próprias pernas. Bom, a família Curie estabeleceu no mínimo 2 + 2, mas vai bem mais do que isso! E se você quiser saber o porquê acompanhe comigo.

Marie Curie a primeira mulher a entrar no mundo do prêmio Nobel, e trouxe a família junto

Nobeis da Curie

Muitas pessoas já ouviram falar de Marie Curie, em especial por ela ter ganhado não apenas 1, mas 2 prêmios nobel em áreas diferentes, na Física (em 1903) e na Química (1911).

Agora o que poucas pessoas sabem é que além de estudiosa, batalhadora e curiosa ela também foi mulher, esposa e mãe de duas meninas. Isso em um mundo onde o machismo era ainda pior que nos dias atuais.

Como nasce uma lenda?

Nossa história começa na Polônia, Maria Salomea Skłodowska nasceu em Varsóvia, 1867, na Polônia. Filha de uma mãe professora, pianista e cantora. E de um pai professor de Física e Matemática. Maria então teve contato desde cedo com uma boa educação dada por seus pais. Ela também possuía uma irmã com quem se dava bem.

O início da saga.

É inacreditável pensar que naquela época (e talvez até os dias atuais dependendo de onde você esteja) o machismo, aqui resumido como “a criação da figura da mulher para ser APENAS dona de casa, imperava. Naquele tempo às mulheres era negado o direito aos estudos, este era um privilégio dos homens da época. A desigualdade já se mostrava a partir daí.

No entanto, dentro de seu lar seus pais cuidavam para que suas filhas pudessem estudar e se dedicar a arte ou ao que quisessem. Eles criaram as filhas para o mundo e não para serem iguais às outras. Porém, uma tragédia aconteceu. Maria perdeu sua mãe por tuberculose e sua irmã por febre tifo. Seu pai, por apoiar a independência da Polônia foi demitido da universidade. Então, abriu ele mesmo uma escola dando ensino para seus alunos. No entanto, seu pai, por saber da infeliz realidade local (o machismo) e da depressão em que Maria, sua filha, passava pelas perdas familiares e por ter seu ensino negado na Universidade de Varsóvia na Polônia meramente por ser mulher, ele a estimulou a ir para a França, pois lá o estudo lhe seria possível. E isso provavelmente daria um novo sentido de vida para ela. (Este é um pai de visão).

Maria se torna Marie

Ao ir para a França ela adotou uma nova identidade. Agora passou a se chamar Marie. Em 1893 ela se formou em física, e em 1894 em matemática. (Qualquer semelhança com os diplomas do pai não é mera coincidência, e sim vocação!). Ela até tentou retornar ao seu país de origem, porém a universidade da Polônia negou-lhe mais uma vez a entrada pelo simples fato de ela ser mulher. 

Fazendo alianças

A esta altura do campeonato já deu para sacar que ela era uma mulher determinada, mas se uma universidade de sua própria pátria a negara o direito de exercer sua profissão e lecionar, então o jeito é continuar pela França e seguir os estudos.

Para ingressar no doutorado era preciso encontrar um orientador e teria de ser alguém especial, sem estes preconceitos e limitações sociais da época. Acontece que este alguém existia e já estava de olho na mulher prodígio. Doutor em Física e disposto a ajudá-la na orientação de seu projeto apareceu Pierre Curie.

Em 1896 ela acabou se apaixonando por ele e assim casaram. Marie agora se chamava Marie Curie e tinha mais que um marido. Ela ganhara um apoio, um amigo, um companheiro de pesquisa e um amor para a vida toda.

Expandindo a família

Marie Curie e Filhas

Fruto do amor destes dois nasceram duas meninas: Irene em 1897 e Eve em 1904. Agora Marie Curie se tornava, esposa, pesquisadora e mãe! Juntos o casal pesquisava sobre a radioatividade, termo que ela inventou, com base nos estudos de outro francês, Henri Becquerel, sobre uma estranha forma de energia do urânio.

O Primeiro Nobel

Pelo trabalho desenvolvido o trio: o casal Curie e Henri ganharam o Nobel de Física em 1903, e assim Marie Curie se tornou a primeira mulher, casada, mãe de duas filhas a ganhar um prêmio nobel.

O Segundo Nobel

Estátua de perfil Curie

Marie Curie manteve sua mente curiosa e seu papel de pesquisadora. As crianças, bom, elas alternavam entre ficarem com a mãe, com o pai, Pierre, com uma tia… Mas a pesquisa continuou e com seu faro por novidades, e se seus cálculos estivessem corretos, havia alguma coisa que emitia uma radiação 400 vezes maior e outra 800 vezes maior do que o Urânio.

Cabe destacar aqui que o casal Curie sempre estiveram empenhados na educação das filhas. Marie Curie sabia bem a dificuldade da falta de igualdade na educação, entre homens e mulheres. Pierre novamente se tornava um suporte importante, não só de pesquisa mas na família. Até que em 1906 o destino resolveu levá-lo. Um acidente fatal com uma carruagem tirou a vida de Pierre. No diário pessoal de Marie Curie ela escreveu: “Acabou tudo, Pierre está dormindo seu último sono embaixo da terra; é o fim de tudo, de tudo, de tudo”.

Se por um lado vinha uma tragédia, por outro vinha uma aproximação maior da mãe com as filhas. E também a confiança em outras pessoas que ajudaram a tomar conta das pequenas enquanto ela terminava sua pesquisa.

E em 1911 Marie Skłodowska Curie ganhava seu segundo prêmio Nobel, desta vez em química. Marie Curie encontrou dois novos elementos  o Rádio e o Polônio, que emitiam uma radiação maior que o Urânio.

O legado

Sua filha mais velha, Irene, acabou se tornando uma pesquisadora e auxiliando a mãe no laboratório, uma vez que Pierre já não poderia mais ser seu companheiro de pesquisa.

Marie Curie não estava satisfeita com o ensino dos colégios franceses para suas filhas, razão pela qual fez como seus pais haviam feito. Reuniu  um grupo de notáveis acadêmicos para que cada um desse aula em sua casa para as suas filhas. Ela se encarregou da Física e da Matemática, naturalmente. Isso fez despertar em Irene uma admiração pela mãe fazendo com que ela seguisse pelo caminho da pesquisa. Eve, ainda era muito nova razão pela qual não poderia ajudar a mãe tão de perto. Irene se tornou a pupila perfeita da mãe e seguiu seu doutorado no Instituto Curie, de seus pais. 

Marie Curie descansou em 1934 após ter deixado o seu legado.

Sua filha Irene continuou seus estudos em química e…

 

O Terceiro Nobel

Irene, assim como a mãe acabou se apaixonando por seu ajudante de laboratório, eles também se casaram e passaram a ser conhecidos como o casal Joliot-Curie e juntos descobriram que a partir do trabalho de Marie e Pierre, que isolaram elementos radioativos o que ocorre naturalmente, eles alcançaram o sonho alquímico de transformar um elemento químico em outro. Este fato rendeu o terceiro Nobel à Família Curie, agora sob a forma de Joliot-Curie

O Quarto Nobel

Eve

Vocês ainda se lembram de Eve, a segunda filha de Marie Curie certo? Pois bem, ela decidiu tomar outros rumos para a própria vida, longe dos laboratórios! Na verdade ela optou ir para a área da escrita e se tornou uma grande tradutora de livros, jornalista, ativista humanitária, correspondente de guerra e escreveu seu livro Jornada Entre Guerreiros, obra que dedicou à mãe. Aliás, também escreveu a biografia da mãe chamada: Madame Curie, e é de Eve onde podemos ter informações além dos Nobéis. Eve era muito bonita e chegou a ser considerada a francesa mais bonita de sua época. Obviamente que como uma Curie isso não a impressionava. Ela chegou a ser chamada a primeira-dama da Unicef e acabou se casando com o diretor-executivo da Unicef. Henry Labouisse. Foi ele quem recebeu o Nobel da Paz, mas alguém aí duvida da parceria e influência de sua esposa Eve? Ela usou seus muitos talentos para promover a paz e levar o desenvolvimento às nações. Ela visitou mais de 100 países com seu marido. Por ter optado por um caminho diferente das Curies Eve viveu 102 anos. Não sofrendo dos efeitos da radiação.

Eu e a Marie Curie

Agora, em Varsóvia na Polônia, nós temos a Marie Sklodowska-Curie eternizada perto da universidade que ela tanto quis estudar e lecionar…

O que podemos aprender com isso tudo?

Assim como Marie Curie sempre soube, desde seus pais até o fim de sua vida, a família e os amigos são os mais importantes apoios que se pode ter na vida.

Outro aprendizado é, se você está atrás de um sonho não desista dele por causa de um “não”, prossiga em seu sonho e você poderá realizar o que quiser. Mesmo que seja em outra pátria.

Saiba com quem fazer alianças, cerque-se de quem sonha com você ou apoia os seus sonhos, com quem não tem preconceitos.

Ah, e respondendo a pergunta do título, quantos prêmios Nobéis valem uma mãe?? Quantos você puder dar. Como brinquei no início, só o dom da vida, e de te criar até que você seja dono dos seus sonhos, e do seu nariz, já rendem dois nobéis! E como vimos, o legado passado da mãe para as filhas, as incentivando, dando educação, não tendo um coração fechado para as dores do passado, mas focando no futuro da vida rendem ainda mais dois. No final, a família Curie estava certa, 4 nobéis em diferentes áreas seria um bom começo. 

Meu agradecimento a você que chegou até aqui e…

Feliz dia das mães

PS: Homens vocês são importantes também, de fato, todo ser humano o é! Mas este é um post mais para as mães. e desejar feliz dia das mães encorajando-as a não desistir dos seus sonhos. Por isso Marie Skłodowska Curie, obrigado pelo aprendizado que você nos deixou.

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História

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