Hoje falaremos sobre idiomas e o porquê dos franceses torcerem o nariz quando falamos em inglês com eles.

Bom, quase todas as pessoas com quem conversei sobre a França, e que já estiveram por lá, falaram sempre duas coisas:

  • Que lá é um lugar lindo, maravilhoso.
  • E que os franceses torcem o nariz se você chegar falando inglês.

Então resolvi checar essa história direito.

A primeira afirmativa é totalmente verdadeira. De fato, a França é um lugar maravilhoso e Paris representa bem isso.

Cada esquina, cada rua, cada direção em que se vira tem um monumento, um chafariz, uma praça, um jardim, um palácio. É encantador mesmo!

 

Aliás sempre que alguém fala em viagem “chique” já vem um pensamento sobre Paris.

Agora vamos à segunda afirmativa, sobre os franceses torcerem o nariz se você chegar falando inglês.

Sobre isso posso dizer que é parcialmente verdade. Mas, isso não tem nada haver com a hospitalidade. Se alguém acha que os franceses são pouco hospitaleiros está errado. Quem faz essa afirmação pensando sobre hospitalidade definitivamente não pegou o espírito da coisa.

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Com base em minha primeira viagem à França eu, sinceramente, só posso dizer que achei os franceses muito simpáticos, esforçados e hospitaleiros. E na verdade o “torcer o nariz” se você chegar falando inglês é na verdade uma barreira de linguagem.

É a expressão facial do: “hã?! O quê? Como?

A verdade é que o inglês é uma língua bem diferente do francês. E na França eles falam francês. Claro!

Sim há lugares em que é possível falar inglês sim, em especial nos lugares turísticos. Mas o inglês não é a segunda língua deles. (tente o castelhano).

De acordo com o EF PI (Índice de Proficiência em Inglês da EF) a França ocupa o 35° colocação dentre 88 países. O que significa que eles tem uma proficiência moderada em inglês. (Fonte: https://www.ef.com.br/epi/ acessado em: 11 de maio de 2019)

Agora pare e pense, a mesma coisa aconteceria se um francês viesse ao Brasil e começasse a falar em inglês. O que vocês acham que iria acontecer? A maioria dos brasileiros não entenderia o que ele falasse e iria “torcer o nariz” ficando com cara de: Hã?! Quem?! Como? O que será que ele está pedindo?!

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A propósito, usando o mesmo índice de proficiência do EF PI, o Brasil ocupa a 53° posição de 88 países. (35 para 53 é só inverter hehe).

Foi o que aconteceu durante a copa do mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016. o que se viu foi uma enxurrada de turistas surpresos porque não conseguiam se comunicar em inglês e algumas vezes nem em espanhol (ou castelhano).

Sim, ao contrário do que muitos pensam, no Brasil não se fala espanhol, se fala português. castelhano é mais fácil para os brasileiros entenderem, pois tanto o português quanto o espanhol tem origem latina. Mas são idiomas diferentes.

Já o francês também tem uma raiz latina e outra germânica. Assim, é mais fácil se comunicar em português ou castelhano com um francês do que em inglês. Este último é uma língua anglo-saxônica. Futuramente o inglês irá sofrer influências germânicas e também francesas, mas vamos nos ater a origem.

Aliás, isso temos em comum com os franceses, essa vontade de atender bem, essa simpatia. Buscamos transpor a barreira do idioma. Deixo aqui meu obrigado a cada um dos vendedores das barraquinhas, de lojas, de marmitas, dos tickets do metrô. E aos voluntários franceses e brasileiros. Eu mesmo devo ter ajudado uns 5 ou 6 turistas em Brasília durante a copa do mundo. E fui muito ajudado lá no exterior.

Pois bem, já em nosso primeiro dia em Paris tivemos essa experiência. Nós não sabíamos falar francês. E chegamos um pouco depois da hora do almoço. Ou seja, estávamos com fome e ainda com as malas procurando o apartamento.

Paramos em uma lanchonete para almoçar. E ao chegar lá fui pedir alguma coisa em inglês. A atendente olhou para mim, fez a cara de hã?! Quê?! Como? E fez sinal para eu esperar. Chamou a outra que entendia inglês. Elas então me explicaram como funcionava. E do quê eram feitas as comidas.

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Logo depois, quando sentamos para comer a atendente viu que falávamos português, então ela se dirigiu a nós em português e disse: Se precisarem de mais alguma coisa podem falar, e se preferirem em português, eu sou portuguesa!

E passamos ainda em vários lugares e sempre fomos atendidos com um “Bonjour” (bom dia), “Bonsoir” (boa noite) “Bon appétit” (bom apetite). Por vezes com gestos e apontando o que queríamos conseguimos pedir as coisas. Outras vezes usamos o inglês também. E em todos os lugares por onde passamos, e os franceses com quem interagimos foram muito simpáticos.

Por isso, respondendo as duas afirmativas do início do texto.

Sim, lá é um lugar lindo, maravilhoso.

E sim. Os simpáticos franceses vão torcer o nariz se você chegar falando inglês, tal como é feito em outros países, incluindo o Brasil.

Um abraço e da próxima vez falarei sobre Paris com dicas sobre lugares.

Au revoir (Tchau).

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