O que os Maias e Astecas nos ensinam sobre a pandemia? – México

Os Maias e os Astecas, mesmo depois de séculos ainda nos ensinam tanta coisa! Se nós observarmos um pouco mais de história poderíamos aprender e não repetir alguns erros.

Você já se perguntou por que os europeus dominaram a América e não o Contrário?

Bom, se você responder esta pergunta dizendo que é porque os europeus eram mais desenvolvidos que as tribos americanas, representadas em especial pelos Maias e Astecas (E os Incas também, mas deixemos eles para outro post ok ?!).Então você está enganado.

Como já postamos neste blog, os povos Maias e Astecas eram civilizações bem avançadas para sua época. Eles poderiam ser considerados senhores do tempo. Aliás foi por isso que previram o fim do mundo. (O que você pode conferir clicando aqui). Apenas para relembrar rapidamente quem eram os Maias e os Astecas. Eles tinham um calendário próprio, que até hoje mostra com perfeição os ciclos, lunares, solares, das marés, das colheitas e quase tudo que é ciclo relacionado ao tempo. Também  eram ótimos astrônomos e matemáticos, Eles desenvolveram o próprio zero! Tinham a própria grafia e também tinham uma arquitetura formidável. Entre as mais avançadas do mundo. Se você já ouviu falar em pirâmides e lembra logo das pirâmides do Egito… Vou pedir que reconsidere. Em Yucatán, no México vemos as pirâmides dos Maias que estão muito bem preservadas, considerando que são construções do século VI ao XII, foram fortes de batalhas e estão muito bem preservadas. Além disso eram feitas de forma funcional. Elas serviam como uma proteção, um lugar de adoração, um lugar de assombração e mostram ainda domínio sobre o som, luz e sombras.

 

Templo Maia de Kukulcán

Esta verdadeira joia da arquitetura tem 4 faces que apontam para os 4 pontos cardeais. (leste, sul, oeste e norte). Tem 30 metros de altura.  tem 9 patamares e escadarias. Cada escadaria conta com exatos 91 degraus! E se você fizer as contas 4 x 91  = 364. Sim, cada degrau representa o equivalente a 1 dia do ano. E o Platô representa o 365º dia. E lá também há 52 painéis, que também são representações dos 52 ciclos do calendário Maia. Então, a pirâmide em si, funciona como uma representação gigantesca do calendário Maia.

Acústica da Pirâmide Kukulcán

A acústica da pirâmide Kukulcán e da arena dos jogos olímpicos em Chichén Itzá também deve ser ressaltada. Um aplauso na base da pirâmide transforma o som de aplauso para o canto de um pássaro! O quetzal, ave nativa da América Central.

Disse-me o guia que isto era particularmente importante como um sistema de alarme. O mensageiro batia palmas na base, e chegava ao topo como o canto de uma ave, sem ecoar as palmas. Assim, os reis e sacerdotes que estivessem no topo da pirâmide, ao ouvir o som, poderiam preparar o exército. Ou fugir do local, sem que os inimigos soubessem que eles haviam sidos avisados de um perigo próximo com palmas. Isso seria particularmente importante em um confronto de reinos.

Espetáculo de luz e sombras.

Além do avançado sistema sonoro que vimos, outras duas faces da pirâmide tem a escadaria desenhada de forma irregular. Os objetivos eram:

1- Representar um dos animais sagrados dos maias (Uma serpente). Eu disse que também era um templo de adoração.

2- Assombração. A fim de mostrar a força do seu deus aos invasores, os sacerdotes que ficavam no topo da pirâmide vertiam sangue de sacrifícios (humanos incluídos) na escadaria nas duas faces. Assim, quem via a pirâmide de longe, assistia uma serpente gigantesca surgir de dentro da pirâmide, e mais do que isso, pela irregularidade essa serpente estaria se movendo.

Mas por que os Maias e Astecas perderam a luta para os espanhóis?

Com tudo que já foi dito até aqui, espero ter te passado a visão de que os maias e astecas não eram meramente uma civilização inferior à européia. Pelo contrário, eles lutariam de igual para igual com os europeus se assim o quisessem fazer. E por terem a vantagem de estarem em seu próprio continente provavelmente teriam vencido. Mas… não foi isso o que aconteceu, os maias e astecas com sua incrível civilização foram dizimados pelos europeus. E destaco 3 dentre as principais razões que explicam isso:

1- Armas

Os europeus possuíam melhores armas que os maias e astecas. Já tinham o domínio da pólvora. As armas de fogo europeias eram superiores ao armamento maia. Mas mesmo assim, caso os maias e Astecas tivessem entrado em uma guerra ainda seriam vencedores, pelo número, não pelas armas. Bom, os Europeus levariam um bom tempo para recarregar, ou trazer mais pólvora. Lembre-se, não havia aviões, o transporte marítimo era o que comandava e os barcos levavam vários dias neste deslocamento.

2- A pandemia

Por falar em armas, os europeus tinham em seu sangue a mais letal de todas elas. Eles traziam germes e vírus já recombinados de 3 continentes: da Europa, da Ásia e da África. Basta lembrar que os europeus já tinham passado por 3 pandemias.

1- A praga de Justiniano (império Bizantino) que dizimou 25 milhões de pessoas nos 3 continentes e durou por uns 200 anos até que os humanos ficassem imunes. (A famosa imunidade de rebanho, precisou de 200 anos para combater a primeira pandemia).

2- A peste negra, que dizimou 1/3 da europa.

3- Um conjunto de outras doenças tais como: varíola, gripe, sarampo, etc.

Todos estes germes eram desconhecidos pelos organismos dos nativos americanos e foram trazidos de uma só vez para o continente americano na época do descobrimento. É interessante notar que para combater a praga de Justiniano e a peste negra, bastaram medidas sanitárias.

Sabe aquela história de lavar as mãos, usar a máscara, manter uma certa distância? Pois é, foi isso que salvou os europeus na época do descobrimento.

Assim, pelo suor, pelo contato, ou pelo simples aperto de mão para selar um acordo entre europeus e nativos acabou causando uma pandemia no meio dos maias e astecas.

3- O Fanatismo

Assim como os europeus acreditavam em um deus cristão e em suas expedições marítimas até se preocupavam em enviar bispos e padres com a finalidade de catequizar os nativos americanos. Os maias e astecas também acreditavam em deus. Só que em vários deles. Eles adoravam desde serpentes, beija-flores, onças, até o sol e as estrelas. Sem esquecer dos elementos (terra, fogo, água e ar) e até faziam olimpíadas entre as cidades para que no final, o melhor guerreiro fosse oferecido como tributo. (Lembrou de jogos vorazes os filmes? – The Hunger Games -, pois é, já acontecia no México).

E por conta de acreditarem também na reencarnação, razão pela qual os imperadores eram enterrados com alguns de seus pertences e servos os maias e astecas tinham uma certa adoração pelos europeus. Pois no calendário deles marcava que estavam em uma mudança de ciclos, e eles viram os europeus vindo das águas, trajando roupas bem diferentes. Se o simples contato com eles poderia matar vários guerreiros… os sacerdotes da época não tiveram dúvidas! Estamos diante de enviados pelos deuses.

A triste notícia é que inocentemente uma civilização inteira se curvava diante daqueles que vinham do além mar, por acreditar cegamente em seus sacerdotes. Quando finalmente descobriram que os europeus eram humanos, e não enviados pelos deuses, já era tarde demais. Com mais experiência em batalhas os europeus sabiam que para dominar uma civilização de forma mais rápida, bastava acabar com os líderes. E os maias, astecas e incas tinham seus líderes facilmente identificados, pois eram tratados como representantes de deus, ou o próprio deus personificado. Então eles andavam demonstrando a sua riqueza e com roupas bem chamativas e coloridas. O exército de nativos de 80.000 homens assistia sem esboçar muita reação a matança dos seus reis e sacerdotes. Afinal de contas, ali era uma batalha dos deuses, de um lado o monarca local e seus sacerdotes, do outro seres enviados por deus que traziam o castigo divino. Pois bastava um toque, um espirro e em 7 dias o nativo contaminado estava morto. (O Chamado) E os sacerdotes dos nativos haviam confirmado que eram enviados de deus. Então… na cabeça do povo ficava: “eles que lutem”.

 

Resumão:

Então meus nobres leitores, foi assim, que as civilizações: Maia, Asteca, e Inca foram dizimadas pelos europeus.

Bastou a união de 3 fatores: As armas melhores, uma pandemia causada por diversos patogênicos (vírus e germes nunca antes vistos), e o fanatismo. Isso acabou com três civilizações inteiras em todo o continente americano, chamado de “novo mundo”.

E espero que você a partir de agora faça duas reflexões:

1- Entenda que um vírus novo, ou algo parecido com o atual COVID-19, pode ter um poder devastador em um organismo “novo” que nunca havia tido contato com ele antes. E ainda nesta reflexão entenda que lavar as mãos, manter uma higiene pessoal em dia, e uma certa distância de quem estiver espirrando, tossindo, limpando a mão no nariz e apertando a mão das pessoas pode fazer uma diferença grande na sua vida.

2- E a outra reflexão é que você deve pensar sobre qual o líder religioso você está seguindo? Qual o tipo de sacerdócio dele? Por acaso ele se diz “enviado por Deus” um Messias? Será que ele não poderia ser só mais um charlatão? E levar todo um povo a destruição? Vejam o que aconteceu com os maias (O presidente da Câmara é Maia também né?! Que coincidência!)

Bom, fico por aqui, e deixo com vocês essas reflexões.

E para quem quiser saber um pouco mais sobre o México deixo aqui uma entrevista com uma Mexicana. Falamos bem no início da pandemia do COVID-19. Ainda não tínhamos a dimensão que esta pandemia tomaria. Mas as dicas sobre o México continuam valendo.

História

Rômulo Lucena Visualizar tudo →

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